Quarta-feira, Novembro 22, 2006

FOTO: FOLHA IMAGEM

1.1 Mídia, Vínculos Sociais e Imagem

Durante o episódio dos ataques da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) na cidade de São Paulo, em maio de 2005, pudemos verificar que a cobertura midiática estabeleceu um vínculo entre os membros da facção, contando os estágios por qual passou e como as relações sociais entre seus membros foram essenciais para a criação de suas ações.

Muniz Sodré diz que a comunidade não é somente agregação, mas sim um laço atrativo, uma obrigação simbólica que faz nascer uma dívida com o grupo social e com o próprio indivíduo. É também um compromisso social de vida e morte, como, por exemplo, no caso de uma convocação para a guerra, onde existe a possibilidade de morrer pelo grupo social ou, como no caso do PCC, os ataques sincronizados contra as forças policiais.

A mídia trata o vínculo como uma relação, no entanto, são coisas distintas. O vínculo relaciona-se com o psiquismo, enquanto a relação é regida por regras jurídicas e sociais. A mídia trabalha a relação, enquanto a comunicação trabalha o vínculo. Para viver em comunidade é preciso compreender suas tensões e sua violência. A violência é maior em grupos onde a comunidade é fortalecida, por isso é complexo abordar a comunidade como um lugar de vínculos. A mídia aborda a relação de forma externa e sem pertencimento. Um exemplo é a Internet, onde há pessoas conectadas, porém, desvinculadas.

O processo de formação de imagens foi o trunfo do homem frente à incapacidade do seu destino mortal. As imagens sociais partilham e vinculam o ser humano a um determinado grupo; juntamente com sua capacidade imaginativa, formam o universo imaginário de uma cultura, remetendo à compreensão das razões de se encontrar núcleos imagéticos que resistem a mercantilização e ao empobrecimento da estética, causada pela cultura de massas.

A imagem pode criar e recriar a realidade independentemente do tempo e do espaço. A televisão mostra-se um valioso instrumento informador de ideologias, valores. Enquanto a palavra cria, a imagem mostra, faz um recorte da realidade. Durante os ataques em São Paulo do Primeiro Comando da Capital, as imagens da violência superaram a narrativa da história. O que se viu nos meios de comunicação foi uma maciça exposição de viaturas policiais nas ruas da cidade e imagens de ruas vazias.

Com os recursos tecnológicos, o acesso a diferentes imagens foi facilitado. No entanto, encontramos na mídia a imagem como uma linguagem que traduz a velocidade da vida diária. De fato, o certo é conhecer e manipular as palavras como instrumento de trabalho e complementar a informação trazida pela imagem.

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